Quem pode calar?

· Tema: propósito

Se alguém se aventurar a dizer-lhe uma palavra, você ficará impaciente? Mas quem pode refrear as palavras?

Jó 4:2 (NVIPT)

Elifaz abre a boca com licença pedida: se alguém se aventurar a dizer-te uma palavra, ficarás impaciente? Mas quem pode refrear as palavras? Propósito das palavras em tempos de dor: consolar ou ferir. Toda língua diante do sofrimento alheio escolhe entre bálsamo e bisturi. Falar é fácil; curar falando é raro.

O amigo viu Jó em cinzas e não suportou o silêncio. Pressa de explicar superou paciência de escutar. Quantos Elifazes lotam velórios e hospitais com teologias apressadas! Propósito da presença nem sempre é discurso: às vezes é ombro, chá e silêncio orante. Palavras têm hora; compaixão tem prioridade.

Mas há também o outro lado: palavras retidas por medo viram covardia. Quem pode refrear as palavras quando a verdade precisa ser dita com amor? Silêncio cúmplice diante do erro não é prudência, é omissão. Discernir quando falar e quando calar é sabedoria que só o Espírito distribui com precisão.

Hoje, examina tua língua nas dores alheias. Leva menos respostas e mais ouvidos. E quando Deus te mandar falar, fala com mansidão cirúrgica: verdade que sara, não que sangra. Pede o filtro do céu antes de abrir a boca na terra.

E mede palavras: bocas com propósito curam, sem propósito cortam.

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